Por Albírio Gonçalves*|

No universo das empresas familiares existem muitas verdades não ditas que interferem bastante no dia a dia das empresas, em seus resultados e na perenidade dos negócios. Várias dessas verdades são causadoras dos problemas, fechamentos e falências de grande quantidade de organizações, contribuindo para as estatísticas da mortalidade das empresas familiares, no Brasil e no mundo.

Há quinze anos, desenvolvo projetos de profissionalização da gestão, gestão interina, processos sucessórios e mentoring/coaching de herdeiros e sucessores, em grupo empresariais familiares de diversas magnitudes. Isto posto, posso afirmar que estas verdades as quais me refiro também contribuem para dificultar e, em alguns casos, até bloquear os processos de profissionalização e sucessão de numerosas empresas familiares.

Assim como para nos desenvolver precisamos reconhecer as nossas limitações, para uma empresa familiar prosperar é necessário que se reconheça quais verdades ocultas existem em seus negócios e em suas famílias.

Curioso para conhecer algumas verdades secretas das empresas familiares que consegui mapear (em alguns casos, constatar o que já havia pesquisado), nestes últimos anos?

Então, vamos lá:

> Nem todo empreendedor que se destaca é um bom empresário.

>  Muitas vezes, os herdeiros são menos brilhantes que o fundador, pois talento acima da média não é hereditário.

>  Alguns empresários são figuras públicas admiráveis, mas um insucesso como pai.

>  Alguns fundadores quando passam a resolver questões familiares por meio da(s) empresa(s), é o início do fim do(s) negócio(s) da família.

>  Inúmeras empresas que “quebram” têm como causa principal desavenças familiares.

>  Nem sempre vivemos tanto quando desejamos viver. (verdade nem tão secreta assim)

>  O fundador conquistou poder e ele é orgástico. Assim, para “largar o osso”, precisará encontrar outra fonte de prazer.

>  É alto o número de herdeiros que não estão “nem aí” para o discurso do fundador: eu fiz isso para vocês.

>  O(A) herdeiro(a) jamais será um(a) funcionário(a) comum.

>  Se o empresário exigisse dos seus herdeiros o mesmo nível de empenho, competência e comprometimento que cobra dos demais funcionários, muitos não trabalhariam na empresa.

>  A dinâmica familiar é como uma reação nuclear: bem conduzida gera energia, mas ao contrário, pode produzir uma potente bomba de destruição em massa.

>  Quando o fundador impõe um(a) sucessor(a), em muitos casos, após a sua morte, os herdeiros começam a se digladiar, iniciando o processo de morte (nem sempre lenta) da empresa.

>  Um dos principais temores de um empresário é “quebrar”, principalmente, quando os seus filhos e filhas já são adultos, contudo, “empurram com a barriga” o processo sucessório e não resolvem a sucessão, deixando o caminho livre para os seus herdeiros “quebrarem” as empresas.

>  Irmãos e sócios nem sempre são compatíveis.

>  Resolver carência afetiva de filho(a) com cargo na empresa é uma das piores decisões que o fundador pode ter.

>  O ciúme acaba com casamentos e negócios.

>  Quando acaba o amor, o “meu bem” transforma-se em “meus bens” e o divórcio pode acabar com a empresa da família, simplesmente, por causa da não separação da tríade família-negócio-patrimônio.

>  O “travesseiro do lado” nem sempre é um bom conselheiro, pois também tem os seus próprios interesses.

>  Ser reconhecido na empresa apenas como filho(a) do dono não é elogio, é xingamento. Só perde para genro ou nora do dono. (parentes e agregados precisam se estabelecer profissionalmente)

>  Se não está escrito, não vale!

Fui escrevendo e, quando finalizei a lista, percebi que havia listado 20 verdades secretas. Que sirvam de alerta para empresários, herdeiros, sucessores e executivos de empresas familiares.

Destaco que a probabilidade de sucesso da empresa familiar cresce quando há disciplina, respeito e diálogo na família, profissionalização na gestão e um processo de sucessão bem conduzido. É preciso evitar que questões ou disputas familiares prejudiquem a gestão dos negócios. Acreditem: conflitos familiares mal resolvidos quebram mais empresas do que problemas de gestão. É preciso separar família, empresa e patrimônio, com regras claras, evitando, assim, que os membros da família empresária reforcem a máxima “avô rico, filho nobre, neto pobre”.

Seguimos…

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(*) Albírio Gonçalves é consultor empresarial, educador corporativo, palestrante, mentor, coaching, autor e referência em desenvolvimento de líderes, gestores, times/profissionais de alta performance e equipes de vendas, bem como na profissionalização da gestão e qualificação de sucessores e herdeiros de empresas e grupos empresariais familiares.

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