Por Albírio Gonçalves* |

Estar antenado com as principais tendências mundiais do varejo, além de um grande desafio, permite-nos pensar sobre como essas tendências tendem a impactar os negócios do varejo brasileiro. A seguir, alguns insights sobre as principais tendências:

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Não importa se você é um ‘nativo digital’ (nascido a partir de 1980) ou um ‘imigrante digital’ (nascidos antes de 1980), todos estamos convergindo para o uso intenso da tecnologia. A tecnologia está mais acessível, tem evoluído rapidamente e, no embalo dos seus avanços, tem gerado negócios disruptivos, como o Netflix, Uber, Airbnb, Amazon Go, entre outros, que têm provocado grandes mudanças nos ambientes de negócios, inclusive no varejo e na sociedade em geral. Graças à tecnologia, a maneira como os consumidores interagem com marcas e empresas mudou radicalmente, forçando uma mudança na forma do varejo se comunicar com o mercado.

Tecnologias como realidade aumentada, realidade virtual e big data tornaram-se mais acessíveis às empresas, proporcionando novos tipos de conectividade e análises de dados mais sofisticadas. A massificação do uso do wi-fi, câmeras e sensores proporcionam usos de robôs para fazer inventários, mapa de calor de frequência para analisar a movimentação de pessoas na loja e ajustes certeiros no planograma das seções de um supermercado, para citar alguns exemplos.

Nem online, nem offline, o novo mantra é o ‘all line’. O conceito ‘all line’ ou omnichannel prega a ideia de que não é mais suficiente uma marca estar em todos os pontos de contato, ela deve ser única, em qualquer meio. O importante é que o consumidor consiga interagir com a marca tendo sempre uma experiência fluida e prazerosa.

O supermercado digital veio para ficar. Muitos varejistas se conectam com os seus clientes por meio de smartphones. A rede americana Marsh Supermarkets equipou as suas lojas com beacons que se conectam aos celulares por Bluetooth para enviar cupons de descontos, anúncios, ofertas, informações de produtos e receitas.

No segmento supermercadista, o varejo online vem crescendo aceleradamente. Algumas operações, no Brasil e no mundo, já permitem aos seus clientes realizarem encomendas de produtos que são selecionados nas suas lojas preferidas e entregues.

E o e-commerce? Bem, o Brasil já é um dos dez maiores mercados de e-commerce do mundo e, obviamente, não está imune aos impactos causados pelo aumento das transações de compra e venda do comércio eletrônico. Definitivamente, o varejista brasileiro não pode ficar alheio aos avanços do e-commerce, que cresce a passos largos, no mundo inteiro. Para ilustrar, hoje, a China possui cerca de 4.000 shoppings em funcionamento e outros 7.000 por inaugurar. Contudo, as expectativas das autoridades chinesas, é que um terço desses estabelecimentos fechem as portas nos próximos cinco anos, em função do avanço do e-commerce, que precisa entrar no radar dos empresários varejistas brasileiros.

A LOJA

No segmento de supermercados, por exemplo, a principal tendência já vem se consolidando faz alguns anos: a abertura de lojas menores. Os consumidores brasileiros têm buscado, cada vez mais, as lojas de vizinhança para realizarem as suas compras. Esse novo hábito forçou mudanças nas estratégias das principais redes que atuam no Brasil. A substituição de hipermercados por lojas com até 20 checkouts é uma realidade. Mas não basta apenas ter lojas menores, é preciso receber bem o cliente, ou seja, a hospitalidade é um grande diferencial, pois ela amplia o desejo de ir à loja. As empresas devem inventar motivos para que os clientes desejem frequentar as suas lojas. Neste pacote podemos incluir eventos, serviços, lanchonetes, restaurantes, música ao vivo, customização de produtos, entre outras ações.

Lojas menores trazem um novo desafio para o supermercadista: a adequação do mix de produtos. Portanto, torna-se imperativo que se conheça os hábitos de compras dos frequentadores da loja para que o mix de produtos esteja bem ajustado aos diversos perfis de compras dos clientes.

PESSOAS, A BASE DE TUDO

Uma grande preocupação no universo varejista supermercadista mundial é como atrair, reter e engajar os talentos, que farão a diferença para essas empresas. Diversas iniciativas estão sendo implementadas para reduzir o turnover, principalmente na frente de loja, e aumentar o engajamento, mas todas, sem exceção, ampliam o número de horas de treinamento, capacitação e desenvolvimento das equipes.

Gosto muito da ideia do Mattew Shay, presidente e CEO da NRF, ao afirmar que, diante do atual cenário de avanço tecnológico e de mudanças nas expectativas dos clientes, o futuro não está no WHAT (o quê) e sim no WHO (quem). A verdadeira diferença está no fator humano.

Diante de tudo que foi dito, propósito, cultura e engajamento são elementos fundamentais para o desenvolvimento de equipes alinhadas. Questões básicas, como missão, visão e valores precisam ser disseminadas, explicadas e incorporadas por todos que fazem a empresa, sem exceção, criando um propósito comum, consolidando a cultura e estabelecendo os alicerces para que as lideranças conquistem as suas equipes e aumentem o nível de engajamento.

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(*) Albírio Gonçalves é consultor empresarial, educador corporativo, palestrante, mentor, coaching, autor e referência em desenvolvimento de líderes, gestores, times/profissionais de alta performance e equipes de vendas, bem como na profissionalização da gestão e qualificação de sucessores e herdeiros de empresas e grupos empresariais familiares.

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